O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, está em pânico. Ele está em pânico porque o governo federal está atualmente em negociações com as províncias de Alberta e Saskatchewan sobre um caminho a seguir para um novo oleoduto até a costa oeste do Canadá.
Segundo relatos da mídia, Eby só soube das negociações pela cobertura da imprensa — e está muito entusiasmado.
Reportando de O Globo e o Correio Há indícios de que o governo federal e a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, podem estar a poucos dias de anunciar um memorando de entendimento sobre oleodutos. O acordo poderia incluir alterações no imposto sobre carbono industrial e apoio a um novo oleoduto para a costa oeste — o qual exigiria uma isenção da proibição federal de navios-tanque.
Uma proibição para petroleiros está em vigor desde 2019 e impede que navios-tanque com capacidade superior a 12.500 toneladas métricas de petróleo bruto ou derivados de petróleo atraquem, carreguem ou descarreguem nos portos da costa norte da Colúmbia Britânica. Qualquer projeto viável financiado pelo setor privado exigiria que o governo federal suspendesse essa proibição ou revogasse a legislação por completo.
O primeiro-ministro Mark Carney poderia usar o seu Lei de Uma Economia Canadense, aprovada em junho, para anular a proibição de navios-tanque para este projeto específico.
Eby sabe disso, e é por isso que entrou em pânico. Ele tem sido a principal voz a tentar impedir a construção de um novo oleoduto até a costa noroeste da Colúmbia Britânica — um projeto de que o Canadá precisa desesperadamente para diversificar suas exportações de petróleo e reduzir a dependência dos Estados Unidos.
Como o Canadá não possui infraestrutura adequada de oleodutos, a maior parte do nosso petróleo é atualmente enviada para o sul da fronteira a um preço reduzido. Lá, ele é refinado em locais como o Texas e revendido nos mercados internacionais com lucro.
Se o Canadá deseja diversificar sua economia, reduzindo a dependência dos EUA e aumentando as exportações para a Ásia — dois objetivos que Carney delineou claramente —, então um oleoduto que leve o petróleo de Alberta diretamente para os mercados asiáticos é uma decisão óbvia.
Mas Carney está numa situação delicada. Ele se comprometeu anteriormente — contrariando a Constituição do Canadá — a oferecer a qualquer província afetada por um determinado projeto o poder de veto sobre esse projeto. Isso significa que, se Eby não quiser ver um novo oleoduto transportando petróleo de Alberta para a costa noroeste da Colúmbia Britânica, seu governo tem poder de veto.
A Constituição do Canadá, no entanto, afirma claramente que, se um projeto ultrapassar as fronteiras provinciais, como seria o caso deste oleoduto, ele ficará sob a jurisdição exclusiva do governo federal.
Se Carney estiver disposto a reconsiderar seu compromisso com os vetos provinciais, o memorando que supostamente está sendo elaborado poderá marcar uma grande virada para o setor de petróleo e gás do Canadá — e para os canadenses em geral. Mas se o acordo exigir a aprovação do governo da Colúmbia Britânica, então, dada a posição atual de Eby, o projeto provavelmente estará fadado ao fracasso.
Então, como Carney poderia sair da enrascada política em que se meteu? Ele poderia apontar para a opinião pública.
As pesquisas mostram que a maioria dos canadenses — incluindo os habitantes da Colúmbia Britânica — apoia um novo oleoduto até a costa noroeste. De acordo com uma pesquisa recente da Angus Reid, 56% dos habitantes da Colúmbia Britânica são favoráveis. Carney poderia argumentar que a posição do governo da Colúmbia Britânica não reflete a vontade da província e que, neste caso, o veto não deveria ser aplicado.
Carney deveria fazer tudo o que for necessário para desfazer sua promessa anterior e dar andamento a este projeto. Ele continua dizendo: "É hora de construir". Já passou da hora de construir um novo oleoduto — para reafirmar a independência econômica do Canadá e revitalizar seu futuro.
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